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20 de Outubro de 2018

Idoso: picada da vacina ou do mosquito transmissor da febre amarela?

Saúde do idoso

Ernesto Caruso, Administrador
Publicado por Ernesto Caruso
há 8 meses

Ernesto Caruso

Bem explicado não está. Quem pode tomar a vacina, quem não pode, quem tomou dose única, dose fracionada, validade, certificação para viagem internacional, e o pior (?), a necessidade de atestado médico para alguns excluídos como os idosos etc.

Nesse particular, há que se considerar os vacinados há dez anos (2008), com a recomendação por escrito da necessidade de reforço, exatamente em 2018, oportunidade das mais inconvenientes face à ocorrência da doença em grande escala a ponto de se pretender vacinar, neste ano, toda a população do estado de São Paulo que tem 45 milhões de habitantes. Mais grave incidência também nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia.

Do portal da Fiocruz colhe-se a orientação de que os idosos geralmente “possuem imunidade mais baixa e, por isso, deve-se levar em conta o risco de contrair doença versus o benefício e risco de imunização”. Se ficar o bicho come, se correr o bicho: morre-se da picada da vacina (vírus mais fraco) ou da picada do mosquito (vírus mais forte). Existe uma estatística nesse sentido?

Para não correr o risco de uma ou outra picada, prossegue a recomendação: “Se o idoso não sair muito de casa e morar em área sem ocorrência de febre amarela em macacos ou casos humanos, é melhor não se vacinar”. Confina o “véio” e é melhor não vacinar? Dez anos passados havia tal prescrição?

Hoje, as gentes da terceira idade praticam exercícios nos parques, academias, praças, frequentam bailes e muitos até trabalham como complemento aos irrisórios proventos do INSS; só ficam em casa quando estão incapacitados.

Outras precauções: “utilizar roupas compridas, usar repelentes, colocar telas nas janelas e evitar áreas de com mata” que somadas aos atestados impostos para aplicação da vacina, o problema se torna de muito difícil solução. Só em pensar que o falido SUS não cumpre a sua missão em propiciar consultas e outros procedimentos aos doentes nos vários níveis de gravidade, quanto mais colocar nessa fila sem fim os idosos em busca do salvo-conduto para ser vacinado já em dúvida crucial, se compensa diante da campanha posta em prática para não fazê-lo.

O que se estranha nesta oportunidade de carência de recursos financeiros em grande parte devida à corrupção generalizada pelos entes públicos, é o inverso dos estímulos anteriores pela imunização como de extrema importância. Parece que é falta de verba/tempo, até porque já se fez presente a solução do fracionamento da dose com redução da sua eficácia para oito anos.

A premissa da dose única a proporcionar imunidade por toda a vida é recente devido aos estudos e comprovações científicas e anúncio da Organização Mundial de Saúde.

E daí, estão imunizados para o resto da vida os que tomaram a vacina antiga, dez anos passados ou mais, desprezando o reforço recomendado?

Ou, é a vacina atual que assegura a proteção contra a febre amarela vida a fora?

Nos postos devia haver orientação escrita, por exemplo, “quem já foi vacinado contra a febre amarela na vida não precisa mais de reforço ou repetir a dose”. Lembrar que no passado houve a Revolta da Vacina decorrente da medida governamental de instituir a vacinação obrigatória (Lei Nº 1.261/1904) contra a varíola que se transformara em epidemia. Houve depredação de lojas, bondes virados e incendiados, enfrentamento com a polícia, mas o tempo conscientizou o cidadão sobre a importância da imunização. Vitoriosa a ação de Oswaldo Cruz. Erradica a varíola em pouco tempo e em 1907 já estava idem com a febre amarela no Rio de Janeiro.

A convicção de se vacinar não pode ser ameaçada por débeis pronunciamentos e orientação insegura de funcionários nas filas que se formam, a dispensar os idosos, bem como a ausência das autoridades responsáveis para definir procedimentos com firmeza e clara exposição.

A desconfiança e o descrédito no padrão da imunização se dissemina pelas redes sociais. Nesse sentido há uma gravação de voz de suposta infectologista que classifica a vacina contra a febre amarela de segunda classe, destinada a país de terceiro mundo. Esclarecer é preciso.

Alguns lembretes pinçados do Estatuto do idoso (Lei 10.741/2003):

“Art. 2oO idoso goza de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhe, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, para preservação de sua saúde física e mental... em condições de liberdade e dignidade.

Art. 3o É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito... à saúde...

§ 1º A garantia de prioridade compreende:

I – atendimento preferencial imediato e individualizado junto aos órgãos públicos e privados prestadores de serviços à população; II – preferência na formulação e na execução de políticas sociais públicas específicas; VIII – garantia de acesso à rede de serviços de saúde e de assistência social locais.”.

No mínimo (!), organizar filas especiais para os idosos, particularmente nos postos de saúde e hospitais, onde mais precisam.

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