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19 de Fevereiro de 2018

Idoso: picada da vacina ou do mosquito transmissor da febre amarela?

Saúde do idoso

Ernesto Caruso
Publicado por Ernesto Caruso
há 14 dias

Ernesto Caruso

Bem explicado não está. Quem pode tomar a vacina, quem não pode, quem tomou dose única, dose fracionada, validade, certificação para viagem internacional, e o pior (?), a necessidade de atestado médico para alguns excluídos como os idosos etc.

Nesse particular, há que se considerar os vacinados há dez anos (2008), com a recomendação por escrito da necessidade de reforço, exatamente em 2018, oportunidade das mais inconvenientes face à ocorrência da doença em grande escala a ponto de se pretender vacinar, neste ano, toda a população do estado de São Paulo que tem 45 milhões de habitantes. Mais grave incidência também nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia.

Do portal da Fiocruz colhe-se a orientação de que os idosos geralmente “possuem imunidade mais baixa e, por isso, deve-se levar em conta o risco de contrair doença versus o benefício e risco de imunização”. Se ficar o bicho come, se correr o bicho: morre-se da picada da vacina (vírus mais fraco) ou da picada do mosquito (vírus mais forte). Existe uma estatística nesse sentido?

Para não correr o risco de uma ou outra picada, prossegue a recomendação: “Se o idoso não sair muito de casa e morar em área sem ocorrência de febre amarela em macacos ou casos humanos, é melhor não se vacinar”. Confina o “véio” e é melhor não vacinar? Dez anos passados havia tal prescrição?

Hoje, as gentes da terceira idade praticam exercícios nos parques, academias, praças, frequentam bailes e muitos até trabalham como complemento aos irrisórios proventos do INSS; só ficam em casa quando estão incapacitados.

Outras precauções: “utilizar roupas compridas, usar repelentes, colocar telas nas janelas e evitar áreas de com mata” que somadas aos atestados impostos para aplicação da vacina, o problema se torna de muito difícil solução. Só em pensar que o falido SUS não cumpre a sua missão em propiciar consultas e outros procedimentos aos doentes nos vários níveis de gravidade, quanto mais colocar nessa fila sem fim os idosos em busca do salvo-conduto para ser vacinado já em dúvida crucial, se compensa diante da campanha posta em prática para não fazê-lo.

O que se estranha nesta oportunidade de carência de recursos financeiros em grande parte devida à corrupção generalizada pelos entes públicos, é o inverso dos estímulos anteriores pela imunização como de extrema importância. Parece que é falta de verba/tempo, até porque já se fez presente a solução do fracionamento da dose com redução da sua eficácia para oito anos.

A premissa da dose única a proporcionar imunidade por toda a vida é recente devido aos estudos e comprovações científicas e anúncio da Organização Mundial de Saúde.

E daí, estão imunizados para o resto da vida os que tomaram a vacina antiga, dez anos passados ou mais, desprezando o reforço recomendado?

Ou, é a vacina atual que assegura a proteção contra a febre amarela vida a fora?

Nos postos devia haver orientação escrita, por exemplo, “quem já foi vacinado contra a febre amarela na vida não precisa mais de reforço ou repetir a dose”. Lembrar que no passado houve a Revolta da Vacina decorrente da medida governamental de instituir a vacinação obrigatória (Lei Nº 1.261/1904) contra a varíola que se transformara em epidemia. Houve depredação de lojas, bondes virados e incendiados, enfrentamento com a polícia, mas o tempo conscientizou o cidadão sobre a importância da imunização. Vitoriosa a ação de Oswaldo Cruz. Erradica a varíola em pouco tempo e em 1907 já estava idem com a febre amarela no Rio de Janeiro.

A convicção de se vacinar não pode ser ameaçada por débeis pronunciamentos e orientação insegura de funcionários nas filas que se formam, a dispensar os idosos, bem como a ausência das autoridades responsáveis para definir procedimentos com firmeza e clara exposição.

A desconfiança e o descrédito no padrão da imunização se dissemina pelas redes sociais. Nesse sentido há uma gravação de voz de suposta infectologista que classifica a vacina contra a febre amarela de segunda classe, destinada a país de terceiro mundo. Esclarecer é preciso.

Alguns lembretes pinçados do Estatuto do idoso (Lei 10.741/2003):

“Art. 2oO idoso goza de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhe, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, para preservação de sua saúde física e mental... em condições de liberdade e dignidade.

Art. 3o É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito... à saúde...

§ 1º A garantia de prioridade compreende:

I – atendimento preferencial imediato e individualizado junto aos órgãos públicos e privados prestadores de serviços à população; II – preferência na formulação e na execução de políticas sociais públicas específicas; VIII – garantia de acesso à rede de serviços de saúde e de assistência social locais.”.

No mínimo (!), organizar filas especiais para os idosos, particularmente nos postos de saúde e hospitais, onde mais precisam.

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