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11 de Dezembro de 2018

Temer fez uma jogada de mestre?

Ernesto Caruso, Administrador
Publicado por Ernesto Caruso
há 9 meses


Ernesto Caruso

Um misto de decepção, oportunismo e entusiasmo do presidente Temer o levou a decretar a intervenção federal em parte do governo do Estado do Rio de Janeiro e a declarar para a imprensa que a “intervenção é jogada de mestre” e que “não tem nada de eleitoral”.

Decepção face ao fracasso de implantar a reforma da previdência por falta de apoio político e que tem uma conta deficitária por várias razões, dentre as quais, provocada por grandes empresas devedoras, inacreditavelmente incólumes/protegidas por sucessivos governos e congressistas.

Oportunismo por ser ano eleitoral e a rebeldia da sua base no Congresso Nacional ao negar-lhe apoio na reforma da previdência, cujo tema deveria ser afastado de modo impactante e, substituído por outro que atendesse à aspiração do cidadão. Parece que deu certo no quesito reforma da previdência; na geladeira.

O que se dizia... Tal reforma era questão de sobrevivência nacional, repetida tantas vezes e reforçada enfaticamente por seu ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

Mas, como o presidente Temer tem sido alvo da Justiça no que se refere ao Decreto dos Portos (Dec. 9.048/2017) em inquérito aberto pelo STF para investigar o suposto favorecimento da empresa Rodrimar, recentemente agravado pela quebra do seu sigilo bancário, a oportunidade da intervenção serve como cortina de fumaça, até pelo previsível debate entre os contra e a favor da medida tomada, bem como observatórios que são criados, gente que morre por bala perdida, identificação de moradores nas áreas conflagradas etc.

O entusiasmo e frases de efeito fazem parte do cenário e servem ou pelo menos os seus autores esperam que motivem a sociedade, como também se depreende, ocorreu como as pesquisas demonstram.

Na política, os sentimentos de orgulho, vaidade, presunção, altivez são dosados por cada candidato, mas usualmente demonstrados na simplicidade dos trajes, no aperto de mão, abraço, beijo nas crianças e na síntese do bordão, por exemplo, “nós podemos”.

O tema segurança pública ganhou importância com reflexos no Congresso Nacional. Algumas propostas vão entrar em votação, PLC 8/16 que trata do aumento da pena por feminicídio, PLS 469/2015 que aumenta a pena homicídio, sequestro e cárcere privado, em situação de tocaia nas proximidades de residências e de escolas; ainda aprovação do Plano Nacional de Enfrentamento ao Homicídio de Jovens e aprovação do PL 5452/16 que aumenta a pena para crime de estupro coletivo.

Pode ser, como parte do oportunismo, que a PEC 21/2013 sobre a redução da maioridade penal, parada no Senado, volte à tona, pois conta com o apoio de 85% da sociedade.

A glamorosa expressão “jogada de mestre” embora negada como atitude eleitoral, naturalmente visa alavancar a sua própria candidatura, ou de um aliado, como o seu ministro Henrique Meirelles, nome bastante trabalhado, no confronto com outras pré-candidaturas melhor posicionadas nas pesquisas de intenção de voto.

O já condenado em segunda instância considerado ficha suja, ex-presidente Lula, lidera as pesquisas, seguido do deputado Jair Bolsonaro.

Muito provavelmente Lula não disputará as eleições, fácil de verificar diante das derrotas por unanimidade nas ações que impetra nos vários graus judiciários.

Assim, sem Lula, por enquanto quatro nomes disputariam a vaga para no segundo turno enfrentar Bolsonaro: Marina Silva (13%), Ciro Gomes (10%), Alckmin (8%) e Luciano Huck (8%).

Dos possíveis candidatos já elencados quem mais têm empunhado a bandeira da segurança pública como medida de suma importância e básica para a definição de outras políticas tem sido o deputado Bolsonaro que naturalmente somada a outros projetos e predicados importantes na avaliação dos seus eleitores o mantém à frente de candidatos de projeção e nome dentro de partidos considerados grandes.

Ora, com a “jogada de mestre” o presidente Temer tenta com a intervenção federal levantar a bandeira do pré-candidato deputado Bolsonaro no assunto segurança pública e atrair eleitores para o seu grupo. Abafa as questões pessoais e de governo na reta final do pleito eleitoral deste ano.

Mas, como já se expressou o comandante do Exército, General Villas Boas, “Temos que repensar esse tipo de emprego, pois é perigoso, desgastante e inócuo.”.

https://www.youtube.com/watch?v=ETnFVSc7b04

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